28 de janeiro de 2009

A rentabilidade do goal-average


De repente temos uma enorme discussão sobre o que quer dizer a expressão goal average. Advogam uns que a expressão, usada no futebol, quer dizer diferença entre golos marcados e golos sofridos. Alegam outros que a tal se refere ao resultado da divisão entre golos marcados e golos sofridos.

Apesar da primeira hipótese atrás referida se afigurar pela explicação técnico-linguística a mais correcta, a verdade é que nem sempre o país receptor de uma expressão a usa com o sentido original. É o caso, por exemplo, de "rentabilidade", expressão que foi introduzida em Portugal para afirmar "rendibilidade" e expressar que certa coisa tem valor.

Ora rentabilidade tem origem na palavra inglesa "rent" que quer dizer “aluguer”. Por seu lado “rendibilidade” tem origem na expressão francesa “rend” que quer dizer… renda. Seria correcto usar “rendibilidade” e incorrecto usar “rentabilidade”…

Acontece que os portugueses preferiram popularizar a palavra errada (rentabilidade) deixando a palavra certa (rendibilidade) de ser usada. Seguindo o raciocínio da "pureza" do uso, teríamos que "rentabilidade" quereria dizer "alugabilidade". Ora todos sabemos que este anglicanismo seguiu a via da corruptela impondo-se de tal forma que já ninguém troca o… errado pelo correcto.

Daí que goal average, no uso que lhe é comummente dado em Portugal, não tem nada a ver com a sua origem...
Siga então o jogo entre o Benfica e o Vitória de Guimarães que o Belenenses o que precisa é de jogar dentro do campo…

26 de janeiro de 2009

Os de Cabo-verde...

Acabo de receber uma mensagem de Cabo-Verde dando-me conta de que Cristiano Ronaldo, grande futebolista que muitos jornais apelidam de extremamente inteligente por fazer maravilhas com os pés e ganhar muito dinheiro; esse mesmo, tem uma costela cabo-verdiana.
A mensagem avisa-me que o bisavô do craque, José Aveiro de seu nome, natural do Santo da Serra, haveria um dia de casar com a cabo-verdiana Isabel que servia, ao tempo, numa casa no Funchal. Da união de José e Isabel nasceria Humberto que casaria com Filomena. Esta, pois, avó de Cristiano Ronaldo, ainda viva, contando com 82 anos de idade. O casal Filomena-Humberto traria ao mundo seis rebentos: Dinis (pai de Ronaldo), António José e José Adriano – já falecidos –, José, João Carlos e Ana Paula. E é fácil concluir-se: Cristiano Ronaldo é cabo-verdiano. Mais uma vez a exploração neo-colonial roubou uma “pedra preciosa” –ou será uma “perna-preciosa”?- a um pobre país africano…


Mas aqui na Sociedade Urdida estamos em condições de afirmar que isso do Cristiano Ronaldo ser cabo-verdiano não é nada! É apenas mais um episódio que vem revelar a constante presença de cabo-verdianidade no mundo. Sabemos bem que todos os grandes homens têm costela cabo-verdiana. Se alguém for verificar a ascendência do Obama, seguramente vai encontrar alguém de Cabo-Verde na sua família. Aliás eu nem falaria na sua tez, castanhamente denunciadora. Mas recordo aquela inteligência discursiva com a palavra única e precisa a sair no momento acertado, a tonalidade de voz forjada no melhor grogue de santanton, o sorriso franco e malandro de menin de soncente, enfim; não esquecendo a esbelta e vistosa esposa, digna das melhores espécies que qualquer cabo-verdiano escolheria. Esse homem só pode ser dos nossos.

Aliás cabo-verdiano está em muitos lados nos melhores acontecimentos que melhoram o mundo. Por exemplo, o bom do Salgueiro Maia, líder da revolução dos cravos, homem que ficou na história pela sua força serena, os seus nervos de aço, etc., etc., segundo o nosso grande Germano Almeida, teve permanentemente a seu lado Natal, um inteligentíssimo e despreendido cabo-verdiano que a todo o momento lhe dizia o que fazer mostrando o caminho longo. Está tudo narrado em Dona Pura e os Camaradas de Abril (Editorial Caminho, 1999). É só ler... Assim se percebe porque motivo a revolução portuguesa meteu cravos em vez de balas... Um cabo-verdeano pois tá claro…

4 de janeiro de 2009

Bolo melting pot


Uma mistura de vários frutos secos, adicionado a uma massa muito consistente e viscosa cozida lentamente em lume brando, coroado com a doçura da fruta cristalizada torna este bolo no melting pot dos doces. Seguir a história deste bolo em http://natalnatal.no.sapo.pt/

2 de janeiro de 2009

O poder de uma classe abstracta

Por estes dias o mundo tenta reconciliar-se consigo. Não se trata apenas do reencontro com a sua renovação que acontece ano após ano, mas também e, no essencial deste trecho, um reconciliação personificada na explosão perpetrada pela expurgação da irresponsabilidade que assistimos no último trimestre de 2008.
Regressando aos tempos em que muitos se vangloriavam de ganhos imensos, não se importando com a origem e os meios usados na obtenção dessas riquezas, identifica-se a presença de uma personagem aparentemente insignificante mas absolutamente determinante na transmissão da mensagem de “como e o que fazer”. É uma personagem que, em certa medida, funciona como agente “infiltrado” na sociedade.

Essa personagem age serenamente em vários meios, vestindo desinteresse no seu modus faciendi, comunicando discurso escorreito, por vezes exemplificando cientificamente, montando um cenário que em tudo se apresenta como “a realidade”, não deixando qualquer dúvida sobre as verdades que apresenta.
O “analista de mercado” tornou-se num indivíduo ouvido, por vezes escutado em silêncio profundo, recomendado de vizinho em vizinho, de familiar em familiar, citado pela generalidade da imprensa. Ele sabe quando e como se deve fazer para que o feito seja exactamente aquele que se prevê, ainda que este “analista” lá no seu íntimo, também saiba que tudo aquilo que ele diz tem vários pressupostos indeterminados à partida e variáveis que se alteram a todo o momento. Este indivíduo substituiu hoje muita gente: o padre, o feiticeiro, a bruxa, o político, o futurólogo, o pai, a mãe, o Velho do Restelo, a menina de meteorologia, etc..

Não tem vergonha de se enganar porque “o analista” nunca se engana. Na verdade se o resultado não foi aquele que ele havia determinado à partida, é porque algo se desviou do cenário por si criado e, assim sendo, não há dúvida que o previsto estava certo, não fosse… a alteração do pressuposto. Nesse momento, o “analista” continua o seu papel adequando a perspectiva ao momento, mantendo-se no seu púlpito, bradando serenamente as suas razões, cultivando gestos produtores da adesão do público. Tal como o mundo, também o analista renova-se. Apenas não se reconcilia consigo porque não precisa: ele é um agente dos mercados e assim sendo, ética ou moral que seja, são conceitos que nada lhe dizem.

Explica-se assim que, esta nossa personagem continue no seu pedestal. Por esta altura ele tem nova receita em que anuncia tempos horríveis, difíceis, terríveis mesmo que, aparentemente, nos atirarão a todos para o rol dos desempregados, alguns para a vala dos desgraçados e uns tantos para o cemitério, mortos de fome. O analista continuará a perorar silenciosamente escutado, baseando-se no cenário que se lhe apresenta servindo de megafone na propagação da mensagem que mais jeito dá ao capitalismo.